domingo, 29 de setembro de 2013

Museu Interativo Mirador - MIM - Santiago/CH


Chegou o nosso último dia em Santiago e a lista de coisas para fazer ainda era enorme! Neste dia iríamos visitar o Museu Interativo Mirador - MIM e depois iríamos para o Museu Artequim e, se sobrasse tempo, Parque Infantil Gabriela Mistral. Seria um dia e tanto com a criançada!  Mas subestimamos - e muito! - o MIM!

Saímos de 'casa', pegamos o metrô até a estação Mirador (linha verde) e depois caminhamos até uma das entradas (cerca de oito ou nove quadras desde a estação do metrô - tem placas indicando o caminho). Chegamos cedo, cerca de 10h da manhã e já tinha fila para comprar o ingresso.

Entramos e nos deparamos com um museu enorme, preparado para receber os visitantes, com atrações para todas as idades. E muita gente!

O ingresso dá direito a duas atrações especiais. Então você chega e vai agendar as tuas atrações especiais. Nós escolhemos a sala de Eletromagnetismo e a do Terremoto, uma experiência diferente para nós, brasileiros. Conseguimos horário para as 14h20min e 15h, respectivamente. Ou seja, teríamos que almoçar ali mesmo. Sem problemas, pois no complexo do MIM há até uma praça de alimentação e nela há opção de buffet, lanches, sorvetes, etc. Há, também, espaço para pique-niques (aliás, tinha muita gente por lá fazendo).



Tem sinal de internet grátis (quanto mais perto da porta principal, melhor o sinal). Banheiros são razoavelmente limpos (em comparação com o volume de gente que estava circulando por lá) e tem monitores que falam português.

Nossa estratégia foi perfeita: antes do meio-dia, atravessamos o pátio para a Praça de Alimentação e lá almoçamos. Ainda estava vazio e o atendimento foi ótimo. Quando nós terminamos, estava lotado, com muitas filas para tudo. Daí, voltamos para o Museu, com as atrações não tão cheias de gente.




Às 14h entramos para a sala de eletromagnetismo. As explicações foram em espanhol e um tanto rápido. As crianças não entenderam muita coisa, precisamos ajudá-las. Pedimos ao monitor que falasse mais devagar, mas não obtivemos êxito. Mas o que importa mesmo é que todo mundo se divertiu por ali.

A atração mais esperada por todos nós era a sala do terremoto, por ser uma experiência totalmente diferente, já que no Brasil, pelo menos no Sul, não enfrentamos esta situação. O monitor já falava bem calmamente, o que facilitou, e muito, a vida dos nossos pequenos viajantes.



Depois de uma explicação sobre o que é um terremoto, entramos num simulador de terremotos. A simulação revela a magnitude 8,8 graus, a mesma do terremoto que abalou o Chile em fevereiro de 2010. Uma sensação não muito agradável, confesso!

A Valentina ficou muito impressionada com o terremoto. Passou dias falando nele e naquela noite custou a dormir. Até hoje conta para todo mundo como foi a experiência. E quando chegamos no flat, ela foi para a internet pesquisar sobre terremotos e, em especial, os ocorridos no Chile.

Resultado: saímos de lá pelas 16h e decidimos ir ao Costanera Center para as últimas compras e depois seguiríamos para jantar Patio Bellavista. Depois iríamos para casa arrumar as coisas, pois no dia seguinte, muy temprano, começaríamos a regressar. 

Nesse momento, acontece um fato inédito: perguntei a um taxista quanto custava uma corrida desde o MIM até o referido Shopping e ele me deu um valor aproximado. Ao aceitarmos a sua oferta, ele respondeu que não nos levaria e que era para procurarmos outro. Optamos pelo táxi, e não metrô, pelo cansaço de todos. Encontrei um corajoso que nos levasse ao nosso destino. Compras feitas, afinal de contas era época de liquidação em Santiago, pegamos um novo táxi e fomos jantar no Pátio Bellavista.

Sabe cansaço? Multiplica por mil... Mas valeu cada minuto desse dia que passamos juntos, viajando.



sábado, 28 de setembro de 2013

Viña San Esteban: seja enólogo por um dia (ou Nosso Tour de Vinhos III ) - Chile


 


Esta vinícola, definitivamente, não estava no nosso roteiro. Neste dia em que visitaríamos uma vinícola e depois iríamos almoçar em Portillo, tínhamos escolhido a Emiliana para visitar, pois já conhecíamos alguns de seus vinhos. 

Mas no dia anterior (quando visitamos Matetic, Isla Negra e Indómita) o nosso tour já era por conta da Skitour e no caminho para a primeira vinícola o nosso motorista Juan Vergara (info@itours.cl ou gatovergara@gmail.com) começou a nos comentar sobre a nossa escolha para o dia seguinte (Emiliana) e falou sobre a San Esteban, segundo ele com uma visita bem diferente das demais vinícolas. Nossos olhos brilharam e na hora optamos pela troca, aceitando imediatamente a sua sugestão. 

Daí, liga para o escritório, cancela Emiliana, agenda San Esteban. Ufa! Deu tudo certo. A nossa curiosidade cada vez mais aguçada. E a expectativa era enorme, também.

No caminho, uma foto do Aconcágua, que na outra vez não tinha se mostrado para nós, pois chovia e nevava muito quando por ele passamos. Ai, que emoção! O pico mais alto da América do Sul estava ali, na minha frente, embora a quilômetros de distância!


Vimos, também, plantações de pêssegos, ameixas e cerejas. A vinícola fica em San Esteban mesmo, um pequeno vilarejo incrustado nas montanhas da Cordilheira dos Andes, no Vale do Aconcágua. Este é o visual:


E a nossa visita começa exatamente pela adega. Atravessamos este galpão, onde repousa milhares de litros de vinho, saímos na porta dos fundos e visitamos a área industrial: desde o local do recebimento das uvas, fermentação nos toneis de aço inox, o envasamento e etiquetagem das garrafas. As crianças adoraram ver como as garrafas são enchidas, ganham rolha e rótulo, tudo sob um rigoroso controle de qualidade.


Depois desta etapa, voltamos à adega e a nossa guia nos explicou a diferença entre as três principais cepas pela empresa produzida: cabernet sauvignon, carménère e syrah. Degustamos uma a uma, separadamente, identificando suas características. Depois, passamos a elaborar a nossa própria fórmula, seguindo as orientações recebidas.




Depois, foi mãos à obra: Duas chances para criarmos o nosso próprio assemblage. Primeiro, a gente faz uma taça de cada, conforme as fórmulas montadas. Depois, escolhemos uma delas e fazemos uma garrafa inteira. Com a ajuda da nossa anfitriã, escrevemos o rótulo, colocamos a rolha e o lacre. E tcharam: saímos de lá com um vinho só nosso, com a nossa assinatura! Não é o máximo???







Achas que a visita terminou? Nã-nã-ni-nã-não! Depois de ser enólogo por um dia, de comer nozes e passas deliciosas, produzidas pela própria empresa, passamos à degustação, propriamente dita (e nós já estamos muito mais pra lá do que pra cá, trocando as pernas e tal, pois experimentamos todas as provas uns dos outros - éramos em 4 adultos...). Com o vinho top (Laguna del Inca In Situ) da empresa, é servida uma empanada de carne deliciosa e enorme, para aplacar  um pouco a fome e o que já bebemos.

Tudo isso no meio da Cordilheira, com uma paisagem maravilhosa, com um papo superanimado. Para as crianças, nenhuma atividade. Então, explicamos a eles como se faz um vinho e deixamos as câmeras de foto para que eles se divertissem um pouco.

No final, ainda compramos azeite de abacate, também produzido na vinícola. E dos nossos signature wines trouxemos garrafas extras. A tua garrafa está no preço. Se quiseres fazer outras extras, pagas em separado. 

Gastamos em torno de R$ 250,00 ao todo (visita, 3 garrafas extras do nosso assemblage e um azeite de abacate)*. Mas trouxemos conosco uma experiência que não tem preço!

Graças ao Juan vivenciamos esta experiência diferente, que vamos levar para o resto de nossas vidas. Se fores ao Chile, reserva um dia para visitar esta vinícola, pois vale muito a pena!

Salud!




* o preço do tour não está incluído nesse valor

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Audiência Crioula de Iraí/RS

Todas as fotos deste post são de Andressa Barros


A convite da Juíza de Direito de Iraí, Drª. Denise Dias Freire, fui fazer a terceira audiência crioula desta Semana Farroupilha de 2013. Desta vez foi dentro do Minuano CTG.

O processo instruído e julgado foi uma retificação de registro público, também. Havia muitas pessoas prestigiando a primeira audiência crioula de Iraí, em absoluto silêncio.



Iniciando os trabalhos.























Mais uma vez escrevi meus versos, relatando e analisando o processo em julgamento e opinando pela procedência da ação, ante a prova apresentada.


Excelentíssima Senhora
Doutora Juíza de Direito
Vem o processo em comento
Por João Victor proposto
Alterar detalhe a seu gosto
Em seu registro de nascimento

É menor o requerente
Por sua mãe representado
Residente e domiciliado
Nesta cidade de Iraí
Por isso estamos aqui
Para analisar o pedido.

Alegou, inicialmente,
Ser de parca condição
E de não ter muito quinhão
Para arcar com a despesa
Firmou declaração de pobreza
Para entrar com esta ação.

Esclareceu que sua mãe
Possui o nome atualizado
Pois de acordo com o julgado
Voltou a usar o nome de solteira
Mos por ser casamenteira
Teve seu nome alterado.

Denise Boita, sua origem
Do Nascimento depois chegou
O tempo se passou
E ela então decidiu
Este sobrenome saiu
E tudo recomeçou.

Casou-se novamente
E o Rembold foi acrescido
João Victor foi parido
Mas um erro persistiu
O registrador não viu:
Havia mudado seu apelido.

No registro de nascimento
De seu filho adorado
Acabou sendo registrado
O seu nome anterior
E não o sucessor,
Seu nome atualizado.

Sai o “Do Nascimento”
O “Rembold” deve entrar
O “Boita” tem que continuar
Por ser o apelido da família
E assim, em sextilha
O parecer vou declamar.

A prova está completa
O erro restou demonstrado
O nome deve ser modificado
Para se adequar à realidade
É mais um caso de verdade
Pela justiça julgado.

O processo é bem simples
Como se pode notar
João Victor vai ganhar
A certidão corrigida
Não terá problemas na vida
Pode se tranquilizar.

A alteração é permitida
Na de Registros Públicos Lei
No artigo cento e nove, bem sei
Que todas as provas exige
E para que regular fique
Deve fiscalizar o Parquet.

Encerro aqui estes versos
Opinando favoravelmente
Que o registrador remende
De Nascimento a Certidão
Encerrando de vez a questão
De João Victor, o Requerente.

Nesta audiência crioula
Hay gaúcho que se preze
Que eleva a Deus sua prece
Que abençoe este chão
Nesta semana de tradição
vinte de setembro, dois mil e treze

De Frederico para Iraí
Sem enfeite ou outros quadros
Neste galpão bem farrapo
Sem dolo ou qualquer malícia
Fala a Promotora de Justiça
Andrea Almeida Barros.

Depois, a Drª. Denise declamou sua sentença em versos de autoria de Elessio Fontana.

É o orgulho do povo sulino,/relembrar toda sua história.
Seus heróis, suas glórias,/o olhar de todos brilha.
Na campanha ou na coxilha,/esta tradição se expande,
Por todo o nosso Rio Grande,/na Semana Farroupilha.

Saúdo a toda a gauchada,/reunida neste acampamento.
É especial este momento,/como pro cristão é a missa.
Cada um com sua premissa,/por direito e liberdade,
E para que se busque a verdade,/aqui está presente a justiça.

Aos caros serventuários,/que trabalham com amor.
A promotora, e ao defensor,/juntos nesta trincheira.
Nesta querência de gente ordeira,/de cultura e de respeito,
Julgo aqui mais este pleito,/nesta audiência campeira.

É uma retificação no registro civil,/que um piazito esta pedindo.
Na defesa construindo,/o que traz os documentos.
Bombiei no requerimento,/nos autos anexados,
Pois ali o nome da mãe esta gravado,/do primeiro casamento.

Aí houve a separação,/que seja bem entendido.
Sai o nome do marido,/pois não tem mais validade.
O que se quer na realidade,/que sirva pra vida inteira,
Que tenha o nome da mãe verdadeira,/como esta na identidade.

É Denise Boita Rembold,/assim deve ser escrito,
Pro contento do piazito,/e que não haja confusão.
Vai ser uma grande emoção,/ter o nome da mãe de verdade,
Por isso a necessidade,/este pedido de retificação.

Depois de ouvir os depoimentos,/com o parecer da promotora,
Que esta causa reparadora,/se corrija bem direito.
Seguindo assim o preceito,/da justiça por baliza,
No exercício de juíza,/dou procedência ao pleito.



Encerrada a maratona de audiências crioulas, volto aos posts de viagem, pois ainda tenho muito para contar do Chile.

Até a próxima Semana Farroupilha, gaúchos e gaúchas de todas as querências, parafraseando Antonio Fagundes.



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Audiência Crioula de Frederico Westphalen/RS

Todas as fotos deste post são de Andressa Barros.



Na gelada noite (6°C) do dia 17 de setembro de 2013, Frederico Westphalen recebeu a audiência crioula. O evento foi realizado na Praça da Matriz, no Largo Vitalino Cerutti, onde também acontece o Acampamento Farroupilha.

O processo era de usucapião de um terreno não registrado, localizado em Taquaruçu do Sul, município da Comarca.

Atuaram, mais uma vez, eu como representante do Ministério Público Estadual e o Dr. José Luiz Leal Vieira, Juiz de Direito. Como advogado da parte autora, o Dr. Marcos Lazaroto.

Na gaita (foto abaixo), Seu Feliciano. Nos 'teclados' da velha Olivetti, o serventuário Cleomar. Nos versos, Andrea Almeida Barros, João Sasso e Elessio Fontana.







Versos declamados pelo Bel. Marcos Lazaroto, de autoria de Elessio Fontana, em memoriais, postulando a procedência da ação:

Requeiro de vossa excelência,/ a procedência desta ação,
Mansa, pacífica de usucapião,/ da qual aqui se expõem a verdade,
Tempos bons de honestidade,/ que só de lembrar me comove,
Foi com a honra de um fio de bigode,/ que se comprou esta propriedade.

Seu Valdacir Roque Botezini,/ briquiou a mais de quarenta anos,
Sempre fez muitos planos,/ neste belo investimento,
Negócio dos velhos tempos,/ aonde a palavra valia,
Mas hoje pra ter garantia,/ precisa de documento.

A medição foi com cordas,/ taquara de pé por baliza,
Assim foi feita a divisa,/ até hoje respeitada,
De um lado corta uma estrada,/ do outro por gente pacata,
O seu Mattana, e a Zanatta,/ e nunca foi contestada.

Por isso este pedido,/ conforme a ação se propunha,
Que se ouça as testemunhas,/ de confiança e integridade,
Para que se confirme a verdade,/ e o gaudério não perca o sono,/
Que se torne o verdadeiro dono,/ com a escritura de propriedade.

Depois de  fundamentado,/ a história real deste fato,
Que em versos aqui relato,/ buscando a lei em sua essência,
Por isso patrão desta audiência,/ aguardo sua fiel decisão,/
O pleito de usucapião,/ e confirme a procedência.


Versos declamados por mim, como fiscal da lei, opinando pela procedência da ação:

Excelentíssimo Senhor
Doutor Juiz de Direito
Vem o processo em comento
De autoria de Valdacir
Uma declaração pedir
Para ser dono de terreno

O requerente é brasileiro
Motorista de profissão
Vem requerer a declaração
De que possui como dono
- Nunca deixou no abandono –
O terreno em descrição

Alegou, inicialmente
Ser de parca condição 
E de não ter muito quinhão
Para arcar com a despesa
Firmou declaração de pobreza
Para entrar com esta ação

Afirmou que há muito tempo
Mantém mansa e pacífica posse
Cuidando como se dono fosse
Do lote urbano número dois
Situado na quadra cinquenta e dois
E ninguém nunca se opôs

Pedro Afonso Mattana,
Jurema Margarida Zanatta
E também uma estrada
São confinantes do terreno
Nada falaram a respeito
Desta área que é cercada

A propriedade é desconhecida
Talvez de outra terra seja sobra
E a legislação lhe cobra
Do registro a regularização
Por isso a declaração
De que é dono e ali mora

Exige a lei brasileira
O prazo de quinze anos
Desde que não haja danos
E nenhuma interrupção
E também oposição
De qualquer ser humano.

Neste caso não precisa
De título ou boa-fé
Pode brigar, bater o pé
Que o juiz declare por sentença
Que aquela ‘parecença’
De verdade bem é.

Anexou documento
Particulares e da terra
E nesta audiência se esmera
Para provar que é verdade
Traz testemunha de lealdade
Para não viver em quimera

Os vizinhos foram citados
Por carta de intimação
E por edital de citação
Os desconhecidos, interessados
Sendo tudo detalhado
No croqui de descrição.

O requerente esclarece
Que pesquisa realizou
E que nada encontrou
Nos ofícios da região
E que também por usucapião
Outra pessoa ganhou

Talvez a área usucapienda
Integre um lote rural
Da Fortaleza, quinta secção
Matrícula dezessete mil, vinte dois
Que se transformou depois
Em Taquaruçu, cidade original

Talvez pertença a Guilherme Guerra
Em lugar incerto e não sabido
Talvez já tenha falecido
Com o galopear dos anos
Tem edital lhe citando
Prazo in albis transcorrido.

O processo está regular
Presentes todos os requisitos
E que pra que ficasse bonito
As testemunhas confirmaram
Nesta noite selaram
A procedência do pedido.

Ao MP incumbe
Da lei a fiscalização
E opina pela declaração
Da propriedade ao requerente
Que comprovou legalmente
Ser dono daquele torrão.

Nesta audiência crioula
Hay gaúcho que se preze
Que eleva a Deus sua prece
Que abençoe este chão
Nesta semana de tradição 
Dezessete de setembro, dois mil e treze

Em Frederico Westphalen
Sem enfeite ou outros quadros
Neste galpão bem farrapo
Sem dolo ou qualquer malícia
Fala a Promotora de Justiça
Andrea Almeida Barros.



Sentença de procedência, declamada pelo Dr. José Luiz Leal Vieira, de autoria de João Sasso:

Agora encilho a palavra
E a todos peço silêncio
Com este encarnado lenço,
Mostrando Amor à Querência,
Venho nesta chucra audiência 
Proferir o julgamento
Para o que pede este Qüera:
De ver real a quimera...
"Morar e ter documento"

Seu Valdacir Botezini,
Pelas rédeas do volante,
Andejou neste Rio Grande
Por destinos tão incertos
Mas sempre voltou pra perto
Da família bem criada
Neste torrão que diz "seu"
Onde décadas viveu
Cravou raiz... Fez morada

E o que diz nosso direito?
Se em quinze anos ou mais,
Sem interromper jamais
A posse de algum imóvel,
Sem que venha alguém e prove
Que daquilo era o dono
Ficará de proprietário 
Quem cuidou com seu trabalho
Do que estava no abandono

Precisei fazer consulta
Aos três Entes Federados
Que por desinteressados
Não entraram no entrevero
E tampouco seus lindeiros,
Legalmente bem citados,
Contestaram esta ação 
Que pede usucapião 
Do lote delimitado

Uma sentença é uma ordem,
Como é por demais sabido
E ao julgar Paz ou litígio 
Analiso bem os autos
Escuto sempre os relatos
Daqueles que vêm depor
Fazendo disso uma arte
Ofício de ouvir as partes
A defesa e o promotor

A posse mansa e pacífica,
Tantos anos continuada
Desta gleba adotada
Como seu Pago ou Rincão 
Traz-me a convicção 
De dar o que foi pleiteado
Ao requerente da ação 
Tornando "seu" esse chão
Por ele tanto pisado

Declaro então o domínio 
Desta área ao autor
Sentenciando com louvor
Ordeno que se publique
Se registre e se intimem
Os pedidos ora feitos
Nesta audiência tão campeira
José Luiz Leal Vieira
Juiz Estadual de Direito.

E assim, com mais uma missão cumprida, e com as fotos maravilhosas de Andressa Barros, eu me despeço deste post.


domingo, 15 de setembro de 2013

Audiência Crioula de Palmitinho/RS


Uma das preocupações do blogue é a divulgação de eventos culturais, seja de onde forem. Por razões óbvias, a cultura do RS está sempre presente. Este é o terceiro ano que participo da Audiência Crioula, evento que realizamos em parceria com o Poder Judiciário, especialmente com o Dr. José Luiz Leal Vieira, Juiz da 2ª Vara da Comarca de Frederico Westphalen, a cada setembro.

Trata-se de uma audiência real, de um processo de verdade, que, ao invés de ser realizada na sala de audiências do Fórum da cidade, é feita na praça, junto à comunidade de uma das cidades da Comarca. Estamos todos trajados tipicamente e as alegações finais do advogado, o parecer do Ministério Público e a sentença são em versos.

A que divulgo hoje aconteceu ontem à noite, 14/09/2013, em Palmitinho/RS. O evento integrou as atividades de abertura da Semana Farroupilha. Já contei sobre a do ano passado aqui.





Andrea e José Luiz

Antes da audiência, participamos de uma pequena cavalgada, levando a Chama Crioula para o acampamento crioulo de Palmitinho.


Essa sala de audiências ficou louca de especial. E o clima só ajudou, com uma noite quente, que fez com a comunidade palmitinhense prestigiasse o nosso evento. Nada de modernidade. A audiência é registrada à máquina de escrever das antigas.



Segue, agora, o parecer do Ministério Público no processo que foi levado à instrução e julgamento ontem à noite (os versos são minha autoria):


Excelentíssimo Senhor
Doutor Juiz de Direito
Vem o processo em comento
De autoria de Rosemar
Uma alteração postular
Em seu registro de nascimento

Dos Santos Gomes o sobrenome
De profissão industriaria
Sem pretender ser arbitrária
Contratou advogado
Para pelear ao seu lado
Nesta questão incontroversa

Alegou, inicialmente,
Ser de parca condição
E de não ter quinhão
Para arcar com a despesa
Firmou declaração de pobreza
Para entrar com esta ação

Explicou na peça portal
Que existe outra ação 
Ainda em tramitação 
Na Justiça Federal
Que está suspensa e tal
Esperando a retificação

Rosemar dos Santos Gomes
Filha de Lurdes e de Ari
Nascida bem aqui
Em mil novecentos e oitenta e nove
Com sua história comove
Basta se deixar ouvir

Quatro de agosto, data certa
Do ano já referido
E não como está no registro
Pois a ciência não permite
Que a gente acredite 
Naquilo que está escrito

Sua irmã, Roselaine
Nasceu em noventa e um
E é claro a qualquer um
Que em doze dias é impossível
- Algo que não é crível –
Uma mãe parir mais um

Esta, Senhor Juiz,
A questão deste processo
E aqui está o começo
Da prova alvissareira
Pois não tem eira nem beira
Manter o que está expresso

Em março de noventa e três
Aconteceu um mutirão
Pois se queria uma nação
Que portasse documento
Foi, então, neste momento
Que ganharam a certidão

Mas tem um erro evidente
Na certidão de nascimento
E este aqui é o momento
De se fazer a correção
E é com satisfação
Que se acata o argumento

Rosemar e Roselaine
Tem registros em sequ~encia
E se tem que por tenência
Nos detalhes apontados
Para que fique bem registrado
Quando foi seu nascimento.

A Requerente, portanto,
Veio ao mundo em oitenta e nove
Em agosto, mês dos fortes
No dia quatro, precisamente
Nasceu, sim, primeiramente
Que Roselaine dos Santos Gomes

A alteração é permitida
Na de Registros Públicos Lei
No artigo cento e nove, bem sei
Que todas as provas exige
E para que regular fique
Deve fiscalizar o Parquet.

Encerro aqui estes versos
Opinando favoravelmente
Que o registrador remende
De Nascimento a Certidão
Encerrando de vez a questão
De Rosemar, a Requerente.

Nesta audiência crioula
Hay gaúcho que se preze
Que eleva a Deus sua prece
Que abençoe este chão
Nesta semana de tradição 
Quatorze de setembro, dois mil e treze

De Frederico para Palmitinho
Sem enfeite ou outros quadros
Neste galpão bem farrapo
Sem dolo ou qualquer malícia
Fala a Promotora de Justiça
Andrea Almeida Barros.


A sentença, de procedência, com versos de João Sasso e declamação do Dr. José Luiz Leal Vieira, é esta:

Rosemar dos Santos Gomes
Qualificada nos autos
Vem aqui buscar respaldo
E alterar sua certidão
Pois naquela ocasião
Que a mesma foi registrada
A caneta, descuidada
Lavrou o ano trocado

Com a passagem do Pai
A família se viu mal
Buscando a via legal
Pra garantir a pensão 
Trazendo a manutenção 
Que o segurado dispõe 
Mas um erro se interpõe 
Na Justiça Federal

Andeja-se tempos bravos
Se os bolsos andam vazios
Tão longe parece o estio
Pra quem depende dos outros
E foi assim, com esforço
Num mutirão de campanha
Que a prenda dois anos ganha
Pelo assento ser tardio

Dizem que sem dinheiro
Muito pouco se resolve
Mas sendo a pessoa pobre
Ficará sem solução?
Não é bem assim, irmãos 
Quando se busca a Justiça 
Pois deferindo gratuita
Ela não gasta um tostão

Rosemar tem uma irmã 
Da mesma Mãe que a gerou
Provando que alguém errou
Pois a ciência não permite
Milagre assim não existe
Uma Mãe gerar dois filhos
Saudáveis, fortes, altivos
Se nem um mês se passou

No papel, noventa e um
Mas certo é oitenta e nove
Seu pedido se resolve
No acerto do documento
Registrando o nascimento 
Na data em que ocorreu
Pois não foi por erro seu
Quatro anos tinha a pobre

São claras as evidências
Verazes demais os fatos
Basta mirar os relatos
Testemunhas, Batistério 
Que vemos, não há mistério 
E sim um erro na data
Que vindo aqui se retrata
Neste ato bem gaudério

A cavalo na Justiça 
E Estribado no respeito
Ordeno que seja feito
O reparo no registro 
Como mostra o que foi visto
Nesta sentença altaneira
José Luiz Leal Vieira
Juiz Estadual de Direito

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Nosso tour de vinhos no Chile II - Viña Indómita


A visita à Vinícola Indómita aconteceu bem por acaso. Nosso tour era privado e naquele dia tínhamos previstas duas degustações, uma na ida para Isla Negra e outra na volta.

Elegemos, então, a Matetic, como contei aqui e depois iríamos em outra, cujo nome agora não lembro. Estava agendado. Mas custamos muito a encontrar a Matetic, já que o Juan, nosso guia, nunca tinha ido até lá. 

Depois, nos demoramos bastante tempo em Isla Negra (não vá lá correndo!), como contei aqui, e acabamos perdendo a hora da vínícola reservada.

Só que na volta para Santiago, a gente passava pela Indómita, linda, imponente no alto do cerro e conseguimos fazer uma visita lá, já bem no final da tarde. Ela fica no Valle do Casablanca e pertence ao proprietário das Lojas Fallabella, uma 'Renner' deles lá, que resolveu variar seus investimentos.

Ao contrário das outras que visitamos, a Indómita produz comercialmente, como a Concha y Toro. Se não me engano, eu não anotei, a produção é de um milhão de litros de vinho por ano. É um volume considerável, né?




Depois da visitação ao setor de produção e à adega, passamos aos trabalhos árduos.




Os vinhos são o Indómita Reserva, o Indómita Select Varietal (tintos:  cabernet sauvignon, carménère e merlot, e brancos: chardonnay e sauvignon blanc).

Há um restaurante, também, e pode ser agendada a visita com almoço.

Mas o mais legal é que a vinícola é child friendly: tem um parquinho simples para a criançada se divertir, enquanto os pais fazem a degustação. Mas por ser na beira do lago, imprescindível a presença de um adulto por perto (serviço que eu não sei se eles oferecem). Para nós, Tânia, a guia, ficou com as crianças no parquinho enquanto a gente degustava bons vinhos. 






O visual é lindo, né? E a luz estava perfeita!

No próximo post, a maior surpresa dessa viagem, nossa última bodega. Espetacular!